Personagens

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Melany Anete White

Melany Anete White




O que dizer, eu sempre fui diferente das outras garotas. Quando pequena por volta dos doze anos, comecei a me encontrar com garotos junto de minhas amigas, sempre faltava uma para ter exatamente um par pra cada menina então me chamavam e todos saímos para pizzarias, sorveterias e parques de diversão. Minhas amigas me procuravam e la ia eu, andar de carrossel, roda gigante, carros choque e depois pizza. Passeava o dia todo de mãos dadas com sei eu quem era o garoto, tinha todos os mimos de um encontro, era boa aquela época.

Mas falando francamente minha diversão preferida era ler meus livros de psicologia e ficar olhando para o hospital St. Joseph. Sim a loucura me fascinava, por que eu tinha duvidas, por que uma pessoa ficava louca, o que era a insanidade, seriamos nos loucos e os pacientes “normais”.
Eu sempre dava um jeito de entrar pelo pátio, e ficar ouvindo os gritos que se perdiam em ecos pelos corredores, fazendo anotações do que diziam os ditos loucos. Eu queria ser psicóloga, ajudar essas pessoas a voltar para a realidade, trazer sorrisos ao rosto das famílias e ter minha própria satisfação pessoal. Eu passava horas fazendo isso e quando já era muito tarde, voltava pra casa pegava meus fones de ouvido e ligava a todo volume o radio e ouvia Led Zeppelin, repassando todo o material coletado do dia, mas uma noite quando estava no hospital fazendo anotações ele me achou.
Era um homem não muito alto devia ter um metro e setenta, cabelos pretos e sua pele era muito branca, vestia uma calça jeans, uma camisa marrom e um casaco da mesma cor, seu nome era Nate, ele disse que já tinha me observado a varias noites, pois meus pensamentos eram muito altos, ele disse que era medico e estava de folga naquele momento, ficamos conversando a noite toda e pela manhã eu fui embora.
Nossos encontros começaram a ficar cada vez mais freqüentes, até que um dia ele disse que se eu queria entender a loucura eu devia me tornar um deles, uma louca. Ele me trancou numa sala acolchoada, me prendeu numa camisa de força me despenteou bastante e disse – é pra sua segurança a reação vai ser violenta – logo em seguida ele fintou meus olhos não sei por quanto tempo, com palavras e gestos simples ele derrubou tantas portas na minha mente, que eu comecei a gritar, me jogar contra as paredes a babar, olhar para o teto girando no mesmo lugar e depois caindo de barriga pra cima, vendo tudo a girar ainda, o que realmente eu pude ver eu não me atrevo a repetir, uma mente normal poderia ficar louca em segundos se souber e como Nate mesmo dizia nenhum mortal deve saber.
Ele me deixou trancada na ala psiquiátrica do hospital por semanas, quando sai de la, meu olhar, jeito de andar e falar tinha mudado, eu estava tão magra que podia fazer um cover do esqueleto do heman. Ele segurou a minha boca e de um corte em seu pulso derrubou algumas gotas de seu sangue, aquele liquido rubro e quente me revitalizou na hora, me sentia forte e acima de tudo feliz novamente. Ele disse que daquele dia em diante eu passei para um próximo estagio onde eu entendia o que era ser chamada de louca, insana entre outras coisas, que eu devia voltar no próximo dia por que ele precisava da minha ajuda.
No outro dia eu voltei La, depois de fugir de casa, minha família tinha espalhado cartazes com minha foto pelas ruas, diziam que tinha desaparecido por dois meses, acho que eles estavam loucos, era o que pensava na época, quando cheguei ao hospital ele me conduziu ate o ultimo andar, la tinha um divã com poltrona e tudo, um verdadeiro consultório, ele me fez sentar no sofá e disse que queria ser meu primeiro paciente, por muitos messes nos fazíamos isso, nossas conversas sempre o acalmavam, e meu pagamento por cada consulta era um pouco de vitae.
Eu nunca quis entender o que realmente estava acontecendo, pois não me importava, eu o amava e queria que ele me possuísse por inteiro, mas ele dizia que era muito cedo pra isso ainda. Um dia ele me falou que precisava muito de minha ajuda em uma peça que ele queria pregar em alguém, era algo bem simples. Eu só tinha que esperar pela hora em que dois homens que estavam numa praça se exaltassem um pouco, então carregando um cesto de flores devia fingir que era uma vendedora, oferecer uma rosa e fintar os olhos de um deles e deixar que se matassem e foi o que fiz. Os dois se atracaram numa fúria que um deles foi morto, virou pó bem diante dos meus olhos e quando eu ia ser morta também Nate me salvou do homem.
Desse dia em diante meus hábitos viraram noturnos, eu dormia o dia todo e a noite, Nate não saia do meu lado, sempre me carregava ate o hospital e olhava freneticamente pelas janelas, mas já era tarde demais. Um grupo de pessoas tinha nos achado, depois de muita discussão, eles queriam uma retribuição pelo que tinha acontecido, eles queria a mim.
Sobre muito protesto Nate me entregou e fui levada ate uma casa muito grande, chorando freneticamente pela presença de Nate, mas era em vão. Eu soube dias depois que Nate havia se suicidado, eu fui novamente submetida a beber sangue, era muito diferente, envolvia rituais, o sangue me era fornecido em um cálice, meu trabalho agora era organizar pergaminhos e catalogar livros em uma biblioteca que deixava a da minha escola parecendo uma sala de comic store.
Por anos eu só fazia o que me mandavam e em pouco tempo eu tinha ganhado um quarto só para mim, Nate era só um lembrança na minha cabeça, que eu já nem sentia mais falta, meu novo dominador era tudo que eu precisava agora. Com a minha obediência veio novos resultados e tive acesso a leituras que ninguém mais dos outros servos tinha logo já estava praticando meus primeiros feitiços. Muito tempo tinha se passado ate que tive a sorte de esbarrar em John.
Uma serie de explosões encheram a casa pela manhã, eu podia ouvir a discussão do meu senhor com um de seus discípulos, de como ele tinha sido tão burro e deixado rastros, logo em seguido seu discípulo tinha sido executado na hora, tiros e mais tiros eram ouvidos e gritos de pessoas morrendo e pedindo ajuda. Quando chegaram a meu quarto, um homem loiro já meio velho disse que seu estava farta daquilo era pra sair unto dele, internamente eu estava, sentia saudades da minha família, mas algo me prendia ali, então ele me arrastou ate um furgão e logo em seguido eu estava num porão dentro de uma cela.
Eu passei muito tempo ali dentro, gritando para sair e querer ver novamente meu senhor, mas o homem loiro chamado John dizia que eu tinha que ficar limpa das porcarias que tinham me dado antes. Ele cuidou de mim por um ano ate que me livrei dessa maldição. Quando voltei para casa com aparência de 14 anos ainda meus pais tiveram um choque, dois dias depois eu acordo como uma mulher, adulta, meu corpo minha mente, tudo tinha mudado, eu sentia ódio de tudo isso, porque não gosto e ser feita de boba, todos aprendem isso da pior maneira.
John me deixou ficar estudando esoterismo na sua biblioteca particular, e tive algumas aulas sobre feitiçaria com o próprio meia noite, longa historia, nossa amizade acabou por que vendi umas relíquias falsas pra ele, mas como eu ia saber. Ele realmente fica puto com isso. Meu pai tinha um antiquário que eu assumi, mandei-os para um condomínio fechado para a própria segurança deles, mudei o antiquário totalmente, transformando em um comercio de relíquias e itens excêntricos, e acabando com a raça de qualquer coisa mal educada que cruze meu caminho. Cicatrizes profundas ficaram por causa desses cativeiros, eu não suporto a luz do sol, mas respirando fundo ate consigo ficar algumas horas na rua durante o dia, e uma fúria animalesca me toma de vez em quando John disse que isso não e normal.
Para piorar tudo atualmente John me enviou um cara chamado Alan Poe para ter algumas aulas de tirar o coelho da cartola, no início achei que era mais um, mas o cara já sofreu muito, e pelo que o vi tem talento. Eu continuo com minha loja e espero que ninguém fique no meio caminho ou com certeza vai dançar.

 

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