Personagens

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Amelia Noble Custer

Amelia Noble Custer

Como eu adorava passar as férias da escola na casa do tio Jesse e de minha tia, era tão calmo e divertido. Durante a semana tio Jesse ia comigo ao parque de diversões tomar sorvete e andar no carrossel também jogávamos bola de vez em quando, eu até podia ser uma Fullback, quem sabe. Aos domingos eu ficava bem quietinha enquanto meu tio dava o sermão, ficava segurando a mão da minha tia e às vezes dormia no colo dela.
Mas um dia algo aconteceu que não acreditei, minha mãe falou que eu não podia voltar lá, que meu tio tinha sido preso. Os jornais falavam de assassinato era um absurdo, eu nunca acreditei que ele podia ter feito isso, eu precisava falar com ele então decidi fazer uma visita a ele no presídio e ai começou o meu inferno.
Meus pais proibiram de todo o jeito possível, ameaçaram me colocar num colégio interno se eu fosse La, que não queriam a filha deles falando com um assassino, como eles não perceberam que tinha algo errado? Tio Jesse amava minha tia eu precisava falar com ele, roubei alguns trocados da bolsa da minha mãe e peguei um ônibus para o presídio, eu tinha que ver o meu tio. Como aconteceu eu tento lembrar até hoje mais não consigo, estava sentada pensando o que dizer quando chegar, mas sem o menor aviso, o ônibus se encheu de gritos tudo começou a rodar e as luzes se apagaram.
Eu acordei numa maca, com uma dor de cabeça incrível e com minha mãe dormindo em uma poltrona ao lado, quando ela despertou e viu que eu estava de olhos abertos começou a rezar e agradecer a deus por sua filhinha estar viva. Ela me disse que o ônibus tinha capotado que o motorista tinha dormindo na direção, algo bem incomum de acontecer às dez da manhã, eu achei que estava tudo bem mais ai chegou o meu pai. Nossa eles me xingaram tanto, sim minha mãe que estava a alguns segundos chorando e me abraçando agora estava me xingando, e eles tomaram a pior decisão que podiam, eu fui mandada a um colégio interno.
Mal tinha me recuperado dos ferimentos e fui enviada para o Santa Marguerite Bourgeoys, um colégio só de meninas, que queriam ser freiras um dia. Era uma chatice eu visitava a minha família nos feriados isso quando eles vinham me buscar. Aquela escolha sempre me deu arrepios, a madre responsável Eliza, sempre me pareceu meio sádica, gostava de nos castigar, nos fazendo realizar tarefas pesadas durante o dia ficávamos esgotadas, eu dormia como uma pedra. Mas a madre Eliza não era a pior, a madre superior que só aparecia depois das dezoito horas era pior, ela nos obrigava a chamar ela sempre de mãe.
Eu conheci Maria La, ela tinha os cabelos em cachos bem dourados e olhos tão verdes como esmeraldas, era pequeninha e tinha a pele bem branquinha e macia, sim eu sabia como era a textura da pele dela, nas noites de inverno uma fugia para a cama da outra, para que passar frio se podíamos dormir abraçadinhas e bem quentinhas. Ela era muito calma e me ajudava com meu temperamento meio explosivo que adquiri depois de alguns anos naquele colégio, como eu queria que o tempo voa-se para sair de La e voltar para o mundo, eu ainda queria ver o meu tio, aquilo era um inferno o único momento que tinha de tranqüilidade era quando estava com Maria.
Mas como minha vida sempre teve altos e baixos, começaram os “baixos” novamente, algumas meninas começaram a ficar anêmicas e doentes, eu via vultos andando pelos corredores à noite, quando perguntei a madre ela dizia que eram irmãs que estavam cuidando para que não perambulássemos à noite pelos corredores.
Uma noite eu podia jurar que vi uma dessas tais irmãs carregar uma das meninas enquanto dormia, no outro dia essa menina apareceu fraca e anêmica como as outras. O que realmente me tirou do serio foi quando Maria apareceu doente, ela ficava muito tempo na enfermaria em recuperação e eu não podia falar com ela. Uma das mais velhas que já estava de saída do colégio me disse que não era a primeira vez que isso acontecia. Marri era o nome dela, estava muito feliz por que ia embora de la, mas antes disse que ia me deixar um presente, todas as meninas que tinham passado por La, tinham deixado algumas poesias escritas em livro, e que era para eu pegar somente a terceira letra de cada palavra que ia descobrir alguma coisa. Foi só isso que ela me disse dois dias depois ela se foi.
O que estava acontecendo com Maria, eu tinha de salvar ela, mas esse livro estava na biblioteca e não podia montar as palavras com a bibliotecária a me observar, eu já não confiava em mais ninguém, o que tinha de estranho naquele lugar. Uma noite eu rezei muito e pedi a deus para conseguir ficar acordada e acho que ele ouviu minhas preces, eu peguei papel e caneta que tinha escondido e tentei chegar à biblioteca, como sempre fui magrinha e leve, era fácil não fazer ruídos, as irmãs nem viram, como se tem de tudo na internet hoje em dia, eu tentei arrombar a porta, e deu certo, vou tentar aquela receita de bombas caseiras também uma hora.
Não tinha como eu ficar muito tempo La dentro então demorei semanas ate conseguir montar tudo, por isso aqueles textos eram tão difíceis de entender, achar palavras para pegar letras e ainda dar sentido em uma poesia era tarefa para rambô nenhum botar defeito, o que era relatado era de dar medo, as meninas diziam que a madre superior era um monstro que tomava a felicidade das pessoas e que as deixavam fracas e algumas mais sem sorte ate morriam.
Eu tinha de saber se aquilo tudo era verdade, Maria voltou aos dormitórios, contei a historia para ela, mas Maria não se lembrava de nada, somente que a Madre superior ia visita La e que conversavam ate que ela adormecia. Maria estava mais forte, será que aquilo tudo era paranóia das outras meninas que passaram por ali, e agora estava acontecendo comigo. Tudo
Ficou realmente bizarro quando levaram Maria para outro dormitório com a desculpa que os pais dela queriam que ela se tornasse a próxima irmã que iria suceder uma bem antiga e velhinha que ainda estava no colégio. Fui separada de Maria, mas dei um jeito, eu fui ate seu quarto que estava muito bem vigiado, ela estava lá deitada, eu tentei acordá-la varias vezes mais seu cansaço era tão grande, e também estava muito pálida, fiquei abraçada nela e rezando muito ate que ela acordou, eu não sabia o que fazer eu temia tanto pela vida dela, que a emoção me levou a beijar seus lábios, o que surpreendeu foi que ela retribui cada movimento da minha língua em sua boca.
Eu tinha que dar um jeito nisso, eu amava Maria, tinha que matar o monstro, a madre superior tinha que morrer. Eu fiz vigia por algumas semanas e descobri onde ela dormia, eu acordei mais cedo que todas e segui-a ate uma parte bem afastada dentro do colégio. Desviando dessas irmãs, consegui chegar ate a cozinha roubar uma faca, essa coisa ia morrer hoje. Já tinha sol, era manhã eu não podia esperar mais, fui ate o quarto da madre a arrombei a porta, ela estava deitada em uma cama, estava sem o habito, ela tinha os cabelos pretos e bem lisos, parecia um anjo dormindo, minhas mãos tremiam, mas ela tinha de morrer era por mim e por Maria, eu apertei a faca com força, fechei a porta, cheguei ao lado da cama, com as duas mãos na faca baixei com força e atravessei a garganta dela, com mais força puxei para o lado e abri um longo corte, ela se afogou em seu sangue e ficou parada com os olhos para cima.
Eu comecei a chorar, mas já estava feito, a faca cravada na garganta dela, a expressão de angustia na cara dela, como não foi minha surpresa quando a madre superior tomada pela raiva, levantou-se.  Ela atirou a faca longe, me pegou pelo pescoço e me jogou contra a parede, eu trinquei duas costelas com isso, sem ar tentei levantar, mas com um gesto rápido ela torceu meu braço e me colocou com a cara colada na parede, eu podia ouvir sua voz, parecia que a fúria em pessoa estava ali, eu tinha que fugir ou ia morrer. Olhei para o lado onde tinha umas cortinas pesadas ali, deveria ser uma janela, me desvencilhei dela com toda a flexibilidade que consegui e me joguei contra a janela, mas novamente os “baixos” da minha vida me perseguiam, tinha somente madeiras ali, grossas o suficiente para não passar nada por ali.
Batia a cabeça forte contra as madeiras e cai tonta no chão, a Madre ao se aproximar começou a gritar, um fino raio de luz estava entrando por ali, e queimou ela, sem saber o que estava acontecendo, se ela era um monstro mesmo, e o sol a queimava era minha única salvação. Comecei a bater com o meu punho com toda a força que tinha a madeira rachou um pouco, e meu pulso quebrou, mas a angustia era tão grande que continuei a bater com o cotovelo, e a madeira se quebrou, o sol invadiu a sala, a madre começou a gritar e as chamas tomaram o corpo dela, em seguida só sobraram cinzas onde ela estava de pé. Cai sentada no chão com o braço quebrado, com duas costela quebradas e o cotovelo muito inchado me achando a pessoa mais sortuda da terra.
Mas rapidamente mudei de idéia, Eliza a outra madre entrou, ao ver a cena começou a ficar histérica, berrando sobre sua senhora, ela pegou a faca que estava no chão se agachou perto de mim, com os olhos vermelhos de fúria, e lentamente enfiou a faca em minha barriga, senti uma dor sem descrição, sentia meu sangue cair pelas minhas pernas, e tudo começou a girar. Antes de perder os sentidos umas das irmão entrou no quarto e estorou os miolos de Eliza com uma escopeta e tudo escureceu.
Acordei novamente em uma ala hospitalar, mas diferente do que esperava não estava minha mãe sentada na poltrona e sim um homem de cabelo grisalho e de batina, se apresentou como Rester. Ele me contou toda a historia de que tinha uma pessoa infiltrada para investigar o problema das meninas que Caiam doentes, e que eu só tinha atrapalhado os planos deles. Eles eram a Igreja, que se dizia responsável a caça de monstros como a madre superior, e que tinha muita sorte de ter sobrevivo sozinha a um combate direto com aquela coisa. Mas apesar de tudo ele tinha um convite, ele perguntou se eu queria fazer parte deles, eu perguntei sobre Maria, ela estava em casa, seus pais tinham ido busca La.
Eu pensei muito enquanto estava deitada, perguntei se podia salvar Maria dessas coisas, inclusive outras pessoas, ele disse que sim então aceitei. Fui transferida para outra escola, que na verdade era uma fachada para um centro de treinamento da igreja para jovens talentos, fiquei La ate os 23 anos, onde conheci Jason Kramer, um bom amigo. Continuei a manter contato com Maria atreves de cartas, eu a visitava quando podia, nosso amor era diferente, não era algo físico era mais afetivo. Através de Jason conheci John que me disse que Meu tio Jesse tinha saído da Cadeia, apesar dos avisos de Rester o homem que me acolheu no hospital eu fui atrás do meu tio e sei que vou encontralo...

Apos dois anos...
Amelia encontrou Seu tio Jesse, mais as coisas se complicaram quando ele parou em um sanatório. Ela assumui de bom grado o lugar do tio, mas ela tornou-se algo diferente assim como todos da Brigada. Agora ela e um imbuido, e logo os gêmeos de olhos amarelhos vão morrer.

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