Amelia Noble Custer
Como
eu adorava passar as férias da escola na casa do tio Jesse e de minha
tia, era tão calmo e divertido. Durante a semana tio Jesse ia comigo ao
parque de diversões tomar sorvete e andar no carrossel também
jogávamos bola de vez em quando, eu até podia ser uma Fullback,
quem sabe. Aos domingos eu ficava bem quietinha enquanto meu tio dava o
sermão, ficava segurando a mão da minha tia e às vezes dormia no colo
dela.
Mas
um dia algo aconteceu que não acreditei, minha mãe falou que eu não
podia voltar lá, que meu tio tinha sido preso. Os jornais falavam de
assassinato era um absurdo, eu nunca acreditei que ele podia ter feito
isso, eu precisava falar com ele então decidi fazer uma visita a ele no
presídio e ai começou o meu inferno.
Meus
pais proibiram de todo o jeito possível, ameaçaram me colocar num
colégio interno se eu fosse La, que não queriam a filha deles falando
com um assassino, como eles não perceberam que tinha algo errado? Tio
Jesse amava minha tia eu precisava falar com ele, roubei alguns trocados
da bolsa da minha mãe e peguei um ônibus para o presídio, eu tinha que
ver o meu tio. Como aconteceu eu tento lembrar até hoje mais não
consigo, estava sentada pensando o que dizer quando chegar, mas sem o
menor aviso, o ônibus se encheu de gritos tudo começou a rodar e as
luzes se apagaram.
Eu
acordei numa maca, com uma dor de cabeça incrível e com minha mãe
dormindo em uma poltrona ao lado, quando ela despertou e viu que eu
estava de olhos abertos começou a rezar e agradecer a deus por sua
filhinha estar viva. Ela me disse que o ônibus tinha capotado que o
motorista tinha dormindo na direção, algo bem incomum de acontecer às
dez da manhã, eu achei que estava tudo bem mais ai chegou o meu pai.
Nossa eles me xingaram tanto, sim minha mãe que estava a alguns segundos
chorando e me abraçando agora estava me xingando, e eles tomaram a
pior decisão que podiam, eu fui mandada a um colégio interno.
Mal
tinha me recuperado dos ferimentos e fui enviada para o Santa
Marguerite Bourgeoys, um colégio só de meninas, que queriam ser freiras
um dia. Era uma chatice eu visitava a minha família nos feriados isso
quando eles vinham me buscar. Aquela escolha sempre me deu arrepios, a
madre responsável Eliza, sempre me pareceu meio sádica, gostava de nos
castigar, nos fazendo realizar tarefas pesadas durante o dia ficávamos
esgotadas, eu dormia como uma pedra. Mas a madre Eliza não era a pior, a
madre superior que só aparecia depois das dezoito horas era pior, ela
nos obrigava a chamar ela sempre de mãe.
Eu
conheci Maria La, ela tinha os cabelos em cachos bem dourados e olhos
tão verdes como esmeraldas, era pequeninha e tinha a pele bem
branquinha e macia, sim eu sabia como era a textura da pele dela, nas
noites de inverno uma fugia para a cama da outra, para que passar frio
se podíamos dormir abraçadinhas e bem quentinhas. Ela era muito calma e
me ajudava com meu temperamento meio explosivo que adquiri depois de
alguns anos naquele colégio, como eu queria que o tempo voa-se para
sair de La e voltar para o mundo, eu ainda queria ver o meu tio, aquilo
era um inferno o único momento que tinha de tranqüilidade era quando
estava com Maria.
Mas
como minha vida sempre teve altos e baixos, começaram os “baixos”
novamente, algumas meninas começaram a ficar anêmicas e doentes, eu via
vultos andando pelos corredores à noite, quando perguntei a madre ela
dizia que eram irmãs que estavam cuidando para que não perambulássemos à
noite pelos corredores.
Uma
noite eu podia jurar que vi uma dessas tais irmãs carregar uma das
meninas enquanto dormia, no outro dia essa menina apareceu fraca e
anêmica como as outras. O que realmente me tirou do serio foi quando
Maria apareceu doente, ela ficava muito tempo na enfermaria em
recuperação e eu não podia falar com ela. Uma das mais velhas que já
estava de saída do colégio me disse que não era a primeira vez que isso
acontecia. Marri era o nome dela, estava muito feliz por que ia embora
de la, mas antes disse que ia me deixar um presente, todas as meninas
que tinham passado por La, tinham deixado algumas poesias escritas em
livro, e que era para eu pegar somente a terceira letra de cada palavra
que ia descobrir alguma coisa. Foi só isso que ela me disse dois dias
depois ela se foi.
O
que estava acontecendo com Maria, eu tinha de salvar ela, mas esse
livro estava na biblioteca e não podia montar as palavras com a
bibliotecária a me observar, eu já não confiava em mais ninguém, o que
tinha de estranho naquele lugar. Uma noite eu rezei muito e pedi a deus
para conseguir ficar acordada e acho que ele ouviu minhas preces, eu
peguei papel e caneta que tinha escondido e tentei chegar à biblioteca,
como sempre fui magrinha e leve, era fácil não fazer ruídos, as irmãs
nem viram, como se tem de tudo na internet hoje em dia, eu tentei
arrombar a porta, e deu certo, vou tentar aquela receita de bombas
caseiras também uma hora.
Não
tinha como eu ficar muito tempo La dentro então demorei semanas ate
conseguir montar tudo, por isso aqueles textos eram tão difíceis de
entender, achar palavras para pegar letras e ainda dar sentido em uma
poesia era tarefa para rambô nenhum botar defeito, o que era relatado
era de dar medo, as meninas diziam que a madre superior era um monstro
que tomava a felicidade das pessoas e que as deixavam fracas e algumas
mais sem sorte ate morriam.
Eu
tinha de saber se aquilo tudo era verdade, Maria voltou aos
dormitórios, contei a historia para ela, mas Maria não se lembrava de
nada, somente que a Madre superior ia visita La e que conversavam ate
que ela adormecia. Maria estava mais forte, será que aquilo tudo era
paranóia das outras meninas que passaram por ali, e agora estava
acontecendo comigo. Tudo
Ficou
realmente bizarro quando levaram Maria para outro dormitório com a
desculpa que os pais dela queriam que ela se tornasse a próxima irmã que
iria suceder uma bem antiga e velhinha que ainda estava no colégio.
Fui separada de Maria, mas dei um jeito, eu fui ate seu quarto que
estava muito bem vigiado, ela estava lá deitada, eu tentei acordá-la
varias vezes mais seu cansaço era tão grande, e também estava muito
pálida, fiquei abraçada nela e rezando muito ate que ela acordou, eu
não sabia o que fazer eu temia tanto pela vida dela, que a emoção me
levou a beijar seus lábios, o que surpreendeu foi que ela retribui cada
movimento da minha língua em sua boca.
Eu
tinha que dar um jeito nisso, eu amava Maria, tinha que matar o
monstro, a madre superior tinha que morrer. Eu fiz vigia por algumas
semanas e descobri onde ela dormia, eu acordei mais cedo que todas e
segui-a ate uma parte bem afastada dentro do colégio. Desviando dessas
irmãs, consegui chegar ate a cozinha roubar uma faca, essa coisa ia
morrer hoje. Já tinha sol, era manhã eu não podia esperar mais, fui ate o
quarto da madre a arrombei a porta, ela estava deitada em uma cama,
estava sem o habito, ela tinha os cabelos pretos e bem lisos, parecia um
anjo dormindo, minhas mãos tremiam, mas ela tinha de morrer era por
mim e por Maria, eu apertei a faca com força, fechei a porta, cheguei
ao lado da cama, com as duas mãos na faca baixei com força e atravessei
a garganta dela, com mais força puxei para o lado e abri um longo
corte, ela se afogou em seu sangue e ficou parada com os olhos para
cima.
Eu
comecei a chorar, mas já estava feito, a faca cravada na garganta
dela, a expressão de angustia na cara dela, como não foi minha surpresa
quando a madre superior tomada pela raiva, levantou-se. Ela atirou a
faca longe, me pegou pelo pescoço e me jogou contra a parede, eu
trinquei duas costelas com isso, sem ar tentei levantar, mas com um
gesto rápido ela torceu meu braço e me colocou com a cara colada na
parede, eu podia ouvir sua voz, parecia que a fúria em pessoa estava
ali, eu tinha que fugir ou ia morrer. Olhei para o lado onde tinha umas
cortinas pesadas ali, deveria ser uma janela, me desvencilhei dela com
toda a flexibilidade que consegui e me joguei contra a janela, mas
novamente os “baixos” da minha vida me perseguiam, tinha somente
madeiras ali, grossas o suficiente para não passar nada por ali.
Batia
a cabeça forte contra as madeiras e cai tonta no chão, a Madre ao se
aproximar começou a gritar, um fino raio de luz estava entrando por ali,
e queimou ela, sem saber o que estava acontecendo, se ela era um
monstro mesmo, e o sol a queimava era minha única salvação. Comecei a
bater com o meu punho com toda a força que tinha a madeira rachou um
pouco, e meu pulso quebrou, mas a angustia era tão grande que continuei a
bater com o cotovelo, e a madeira se quebrou, o sol invadiu a sala, a
madre começou a gritar e as chamas tomaram o corpo dela, em seguida só
sobraram cinzas onde ela estava de pé. Cai sentada no chão com o braço
quebrado, com duas costela quebradas e o cotovelo muito inchado me
achando a pessoa mais sortuda da terra.
Mas
rapidamente mudei de idéia, Eliza a outra madre entrou, ao ver a cena
começou a ficar histérica, berrando sobre sua senhora, ela pegou a faca
que estava no chão se agachou perto de mim, com os olhos vermelhos de
fúria, e lentamente enfiou a faca em minha barriga, senti uma dor sem
descrição, sentia meu sangue cair pelas minhas pernas, e tudo começou a
girar. Antes de perder os sentidos umas das irmão entrou no quarto e
estorou os miolos de Eliza com uma escopeta e tudo escureceu.
Acordei
novamente em uma ala hospitalar, mas diferente do que esperava não
estava minha mãe sentada na poltrona e sim um homem de cabelo grisalho e
de batina, se apresentou como Rester. Ele me contou toda a historia de
que tinha uma pessoa infiltrada para investigar o problema das meninas
que Caiam doentes, e que eu só tinha atrapalhado os planos deles. Eles
eram a Igreja, que se dizia responsável a caça de monstros como a
madre superior, e que tinha muita sorte de ter sobrevivo sozinha a um
combate direto com aquela coisa. Mas apesar de tudo ele tinha um
convite, ele perguntou se eu queria fazer parte deles, eu perguntei
sobre Maria, ela estava em casa, seus pais tinham ido busca La.
Eu
pensei muito enquanto estava deitada, perguntei se podia salvar Maria
dessas coisas, inclusive outras pessoas, ele disse que sim então
aceitei. Fui transferida para outra escola, que na verdade era uma
fachada para um centro de treinamento da igreja para jovens talentos,
fiquei La ate os 23 anos, onde conheci Jason Kramer, um bom amigo.
Continuei a manter contato com Maria atreves de cartas, eu a visitava
quando podia, nosso amor era diferente, não era algo físico era mais
afetivo. Através de Jason conheci John que me disse que Meu tio Jesse
tinha saído da Cadeia, apesar dos avisos de Rester o homem que me
acolheu no hospital eu fui atrás do meu tio e sei que vou encontralo...
Apos dois anos...
Amelia encontrou Seu tio Jesse, mais as coisas se complicaram quando ele parou em um sanatório. Ela assumui de bom grado o lugar do tio, mas ela tornou-se algo diferente assim como todos da Brigada. Agora ela e um imbuido, e logo os gêmeos de olhos amarelhos vão morrer.

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